O Palhaço Malabarista

 

 

Pedro Correia é natural de Vila do Conde, onde nasceu há 31 anos. Depois de frequentar um workshop no Centro Municipal da Juventude com André Braga, numa abordagem ao malabarismo e ao novo circo, procurou formação em Espanha e França e hoje é um profissional que veste a pele de palhaço malabarista, tendo já apresentado espectáculos em Espanha, França e México.


Voz da Póvoa:
O circo é uma actividade sempre em viagem, é isso que o fascina?
Pedro Correia: Sempre gostei de viajar e com este trabalho posso ir pelo mundo, fugindo à rotina. O lado marginal do palhaço também me fascina, porque representa o outro lado da sociedade. Se não fosse palhaço era terrorista, mas prefiro o terrorismo do humor que é bem mais pacifista. No fundo acredito na possibilidade dum mundo sem guerras. Eu sei que às vezes é complicado ser pacifista, existem coisas que são extremamente revoltantes.

Voz da Póvoa: Para crianças ou adultos, o espectáculo pode ser abordado da mesma maneira?
Pedro Correia: Penso que podem ser abordados os mesmos temas mas de uma forma distinta, já que os universos são diferentes. Na representação exploro mais o lado físico e mímico do palhaço. Inspiro-me em Charlin Chaplin, gosto da ideia do corpo sem a utilização da palavra. Depois cada pessoa é um ser extraordinário. Mas as experiências que tenho dos vários públicos são muito positivas. Nos espectáculos procuro sempre uma certa originalidade.

Voz da Póvoa: O malabarismo tem riscos para o palhaço?
Pedro Correia: Tenho um escadote que a todo o momento ameaça desintegrar-se, mas o circo tem esse lado do risco, como a história do fogo, é um risco com virtuosismo, isso faz com que as pessoas se agarrem mais ao espectáculo. Mas não abordo o espectáculo só pelo lado do risco, trabalho mais a poesia visual, onde o palhaço não tem como função só fazer rir, as lágrimas também acontecem.

Voz da Póvoa:É fácil ser um profissional a tempo inteiro?
Pedro Correia: Quando se fala de crise, os cortes vão sempre parar a tudo o que está ligado à cultura. De uma maneira ou de outra vou conseguindo sobreviver, fazendo aquilo que quero e gosto. Sinto também que desde a Expo 98, onde se apostou muito nas artes de rua com o novo circo, as pessoas tiveram oportunidade de assistir a grandes espectáculos vindos de todo o mundo e desde essa altura existe uma outra sensibilidade. Já não se vê o espectáculo de rua com aquela ideia do mendigo.

Voz da Póvoa: Nos últimos dois meses esteve no México, como surgiu o convite?
Pedro Correia: Nasceu de uma proposta que apresentei ao Festival de Teatro Íntimo, onde existiu também uma partilha de conhecimentos. Tento sempre conciliar as minhas viagens trabalhando com crianças de rua, num aspecto mais solidário, que é uma coisa que me dá gozo fazer.

Voz da Póvoa: Para lá do circo existem outros projectos?
Pedro Correia: Tenho uma performance sobre Agostinho da Silva e estou a trabalhar num espectáculo de música, vídeo e fotografia. Há um monte de ideias que fervilham na minha cabeça. É muito importante não estar fechado dentro do nosso mundo, mas é preciso digerir a informação que recebemos para que a inspiração apareça.

 

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